segunda-feira, 28 de julho de 2008

VIVENDO E APRENDENDO

Bárbara Polezer
Expectativa é ruim, mas é bom. É ruim quando demora. É bom quando é alcançada. É ruim quando é incerta. É bom quando é certeira.

Quando você decide mudar, traça um rumo para viver novas situações. Esquematiza metas e determina que vai alcança-las. Fica evidente que o caminho pode ser conturbado, porém o objetivo definitivamente será iluminado.

No século em que tudo é pra ontem esperar é um martírio. Parece que você está atrasado, perdendo o ponto. Contudo, ao mesmo tempo, o amadurecimento é visível.

A experiência aumenta, a meta fortalece e a carga é imensamente maior. O medo do incerto talvez assombre, todavia, atrai. Enquanto isso pessoas mais vividas ensinam. Informam a técnica, a ginga, a malicia, as peripécias da vida.

Os personagens menos experientes também transmitem conhecimento. Conhecimento de que o simples, o novo, o curioso é muito quando não se viveu quase nada. O entusiasmo do bebê ao se sentir equilibrado, ao descobrir os sons, reconhecer as pessoas. É lindo de ver, emocionante de sentir.
Imagino que esperar nove meses para ver o filho deve ser dificílimo. A cura de alguma doença então, nem se fale. O novo trabalho, novo visual, nova moradia, novo amor, amor perdido. Saber o que vai ser quando crescer, crescer e não saber o que fazer. Ou a expectativa te mata, ou você corre e acaba com ela!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

CADA UM NO SEU QUADRADO

Bárbara Polezer
Manter relações muito íntimas é mesmo uma loucura. Amiga se torna mãe, mãe se torna irmã, irmã se torna inimiga. É complicado manter distância quando se quer tão bem uma pessoa.

Mas tem gente que não quer cuidado, quer cuidar. Tem também quem queira ser esquecido, ou finge querer, enquanto na verdade, tudo que deseja é chamar o máximo de atenção. A questão é que é complicado!

Você aconselha, acha que vai ser ouvido. N
ão é. Há quem escute, e por sinal não goste do “toque”. Afinal, se conselho fosse bom não se dava. Não é o que dizem por ai?

Resolvi não dar mais conselhos. A não ser quando me perguntam. Contudo, quando vejo já falei. É mais forte do que eu. Eu quero resolver, libertar a pessoa que tanto amo da angústia, da incerteza, na desilusão. Mas quem sou eu para querer fazer isso. Quem sou eu?!

Discussão também é uma forma de querer o bem. Boto fé nisso. No entanto quando há liberdade os conflitos e emoções passam do limite. Ambos se magoam, mas ninguém admite. Às vezes (quase todo dia) acontece entre eu e minha mãe.

Todavia o radar está a postos para detectar qualquer manifestação de mudança de posição. Nada de ser mãe de amiga, irmã de mãe, tia de marmanjo. Já estão todos grandinhos para saber que friagem causa resfriado, muito doce engorda e que droga em excesso faz mal a vida, principalmente familiar. Cada um no seu cada qual.

terça-feira, 1 de julho de 2008

NOSSAS ORIGENS NOS LEVAM A REFLETIR

Bárbara Polezer
Gosto de ouvir histórias passadas. Principalmente histórias passadas com pessoas que admiro. Reli um e-mail de meses atrás. Nele uma amiga fala das suas origens e eu respondo falando das minhas.

Domingo falaram do meu avô. José. Minha mãe tem muito orgulho desse homem. Fala com a boca cheia. Ela disse que ele falava enrolado. Eu não sabia disso. Na verdade não lembrava. Queria lembrar. Depois dessa revelação entendi a origem da dificuldade fonética de todas as titias. Ok, eu também herdei essa falha.

Idealizei esse homem como herói. Tenho certeza que ele foi. Gosto de ouvir as histórias das minhas avós. Às vezes elas falam coisas que minha mãe não queria que eu soubesse. Mas eu gosto de saber. Acho importante saber. A Ordália é uma figura. Fala cada uma. Gosto de ir lá no fim do domingo, depois que todos já se foram. Falamos de tantas coisas. Ela é uma verdadeira mãe.

Ela anda meio preocupada com todo mundo e não assume a verdadeira dor que esta sentindo. Dor no braço. Dor na alma. Eu sei que ela não esta bem. Na verdade ela sabe que eu sei. Mas é assim mesmo, ninguém sabe o que se passa realmente na cabeça de cada um.

Eu sei que ela me quer bem. Disso eu sei. Ela é maravilhosa. Ela cuida de mim por aqui, e ele cuida de mim de lá. Eu acredito sim que as pessoas quando passam para o outro lado continuam cuidando da gente por aqui. Às vezes eu lembro. Sorrio e agradeço pelo empurrão. Os avós são mais do que pais. Ah se são!