segunda-feira, 29 de setembro de 2008

MISTÉRIO DA MEIA NOITE

Bárbara Polezer
Segredo. O mais íntimo objeto, sentimento, episódio. Aquele que você só divide com você mesmo. Nem mesmo a pessoa que você mais confia sabe. É talvez saiba! Mas não por inteiro!É aquilo que você apenas conta por partes, até porque guardá-lo é tão difícil!!!!

Todo mundo têm segredos. Uns mais do que outros. Você vê a menina contente, sorridente, bem nutrida. Mal sabe que ela vive um conflito interno há tempos. Vê o garotão pagando panca, dizendo lindas palavras, fazendo planos. Mal sabe o mundo que são todos incertos.

O político corrupto pode não dormir tão tranquilamente quanto dizem. O ladrão não ser tão culpado. O menino de rua não tão vítima. A prostituta não tão promíscua. O pastor não tão digno. No fundo ninguém sabe o que se passa realmente na vida de cada um, na cabeça de cada ser, na madrugada de cada cidadão.

O único problema do segredo é que quase sempre ele perturba a consciência, e essa quando pesa, estraga qualquer inesquecível dia. O dinheiro sujo, o carro do ano, o jogo vencido, o concurso aprovado, o amor alcançado, nada vale se não foi a base da justa vitória.

O segredo corrói, inquieta, machuca. Contudo por que é tão presente, tão constante? O mistério atrai e te faz ser algo que não aparenta. Eu me achava transparente. Hoje não acho. Assim como não acho que devo ser.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

ESCUTO,FILTRO E ABSORVO

Bárbara Polezer
“Depois do primeiro sutiã a responsabilidade não acaba só aumenta”. Foi a frase mais condizente que ouvi ontem (31 de julho). No seriado Grey’s Anatomy a Dra. Meredith Grey após um dia tumultuado concluiu o episódio com o tal comentário. Coincidência ou não essa Meredith mandou bem.

Dia cinza, vento gelado, final de semana próximo, tudo influencia para uma tarde de filmes, brigadeiro e cobertor. Se fosse há seis anos atrás eu ia alegar cansaço emocional e não iria à aula de redação do cursinho. Ou ainda, há mais quatro anos anteriores, eu não iria ao ballet. Ia falar pra minha mãe que a dor muscular causada pelo ensaio de quinta-feira estava insuportável, tudo para vivenciar momentos de folga no sofá.

Como os tempos mudaram nenhuma desculpa encaixa com o dia de hoje. Trabalho não é brincadeira, exige responsabilidade e dedicação integral. As atividades dos anos passados também exigiam, mas uma folguinha não fazia assim, tanta diferença.

Essa semana também ouviu que saudade não é um sentimento bom. A explicação foi de que se tem saudade de algo bom, quer revivê-lo, e não dá. Já se é de algo ruim, aquilo volta e te deixa triste. Até faz sentido, mas eu como uma saudosista assumida não posso concordar com 100% de adesão.

Como diria Marcelo D2: “saudade do que vivi, saudade do que nem vi”. Tenho saudade do pontinho amarelo, da esquininha, da sukita com trakinas, das aulas de ballet, da volta pra casa após as aulas no Newtão, da carona do colegial, das férias praianas, principalmente das pessoas presentes em todos esses momentos.

Saudade dos anos 70, da Bossa Nova, Vinicius de Moraes, Elis Regina, das traquinagens da minha vó quando adolescente, das calças boca de sino do meu pai, da juventude da minha mãe, de ver o pôr do sol com a Nat, Marina, Núbia, Talita, Jús e por ai vai....

segunda-feira, 28 de julho de 2008

VIVENDO E APRENDENDO

Bárbara Polezer
Expectativa é ruim, mas é bom. É ruim quando demora. É bom quando é alcançada. É ruim quando é incerta. É bom quando é certeira.

Quando você decide mudar, traça um rumo para viver novas situações. Esquematiza metas e determina que vai alcança-las. Fica evidente que o caminho pode ser conturbado, porém o objetivo definitivamente será iluminado.

No século em que tudo é pra ontem esperar é um martírio. Parece que você está atrasado, perdendo o ponto. Contudo, ao mesmo tempo, o amadurecimento é visível.

A experiência aumenta, a meta fortalece e a carga é imensamente maior. O medo do incerto talvez assombre, todavia, atrai. Enquanto isso pessoas mais vividas ensinam. Informam a técnica, a ginga, a malicia, as peripécias da vida.

Os personagens menos experientes também transmitem conhecimento. Conhecimento de que o simples, o novo, o curioso é muito quando não se viveu quase nada. O entusiasmo do bebê ao se sentir equilibrado, ao descobrir os sons, reconhecer as pessoas. É lindo de ver, emocionante de sentir.
Imagino que esperar nove meses para ver o filho deve ser dificílimo. A cura de alguma doença então, nem se fale. O novo trabalho, novo visual, nova moradia, novo amor, amor perdido. Saber o que vai ser quando crescer, crescer e não saber o que fazer. Ou a expectativa te mata, ou você corre e acaba com ela!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

CADA UM NO SEU QUADRADO

Bárbara Polezer
Manter relações muito íntimas é mesmo uma loucura. Amiga se torna mãe, mãe se torna irmã, irmã se torna inimiga. É complicado manter distância quando se quer tão bem uma pessoa.

Mas tem gente que não quer cuidado, quer cuidar. Tem também quem queira ser esquecido, ou finge querer, enquanto na verdade, tudo que deseja é chamar o máximo de atenção. A questão é que é complicado!

Você aconselha, acha que vai ser ouvido. N
ão é. Há quem escute, e por sinal não goste do “toque”. Afinal, se conselho fosse bom não se dava. Não é o que dizem por ai?

Resolvi não dar mais conselhos. A não ser quando me perguntam. Contudo, quando vejo já falei. É mais forte do que eu. Eu quero resolver, libertar a pessoa que tanto amo da angústia, da incerteza, na desilusão. Mas quem sou eu para querer fazer isso. Quem sou eu?!

Discussão também é uma forma de querer o bem. Boto fé nisso. No entanto quando há liberdade os conflitos e emoções passam do limite. Ambos se magoam, mas ninguém admite. Às vezes (quase todo dia) acontece entre eu e minha mãe.

Todavia o radar está a postos para detectar qualquer manifestação de mudança de posição. Nada de ser mãe de amiga, irmã de mãe, tia de marmanjo. Já estão todos grandinhos para saber que friagem causa resfriado, muito doce engorda e que droga em excesso faz mal a vida, principalmente familiar. Cada um no seu cada qual.

terça-feira, 1 de julho de 2008

NOSSAS ORIGENS NOS LEVAM A REFLETIR

Bárbara Polezer
Gosto de ouvir histórias passadas. Principalmente histórias passadas com pessoas que admiro. Reli um e-mail de meses atrás. Nele uma amiga fala das suas origens e eu respondo falando das minhas.

Domingo falaram do meu avô. José. Minha mãe tem muito orgulho desse homem. Fala com a boca cheia. Ela disse que ele falava enrolado. Eu não sabia disso. Na verdade não lembrava. Queria lembrar. Depois dessa revelação entendi a origem da dificuldade fonética de todas as titias. Ok, eu também herdei essa falha.

Idealizei esse homem como herói. Tenho certeza que ele foi. Gosto de ouvir as histórias das minhas avós. Às vezes elas falam coisas que minha mãe não queria que eu soubesse. Mas eu gosto de saber. Acho importante saber. A Ordália é uma figura. Fala cada uma. Gosto de ir lá no fim do domingo, depois que todos já se foram. Falamos de tantas coisas. Ela é uma verdadeira mãe.

Ela anda meio preocupada com todo mundo e não assume a verdadeira dor que esta sentindo. Dor no braço. Dor na alma. Eu sei que ela não esta bem. Na verdade ela sabe que eu sei. Mas é assim mesmo, ninguém sabe o que se passa realmente na cabeça de cada um.

Eu sei que ela me quer bem. Disso eu sei. Ela é maravilhosa. Ela cuida de mim por aqui, e ele cuida de mim de lá. Eu acredito sim que as pessoas quando passam para o outro lado continuam cuidando da gente por aqui. Às vezes eu lembro. Sorrio e agradeço pelo empurrão. Os avós são mais do que pais. Ah se são!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

EMOÇÃO E NOSTALGIA


Bárbara Polezer
Você já sentiu prazer e emoção ao ver um show?Eu senti!
Fui ao espetáculo (sim, foi um espetáculo) denominado Inclassificável do Ney Matogrosso. Desde que vi que essa seria uma das atrações do Cabaré do Filo fiquei empolgada. O cara é uma figura e esse show foi super bem criticado por ai!

Ia com uma amiga que também é uma figura. Acabou que ela tomou friagem na terça-feira a noite e ficou resfriada ao ponto de não conseguir levantar da cama. Acho que senti que isso ia acontecer e já agilizei uma nova companhia divertida.

Cheguei minutos atrasada. 11h20. Enquanto estacionava ouvi sons suspeitos, parecia que o show já havia começando. Saímos correndo para perder menos possível. Perguntei para a moça da bilheteria: “Quantas músicas ele já cantou?”. Ela respondeu: “Quatro!”. Minha parceira aceitou se enfiar no meio do público. Eu queria vê-lo de qualquer maneira. Nessa hora ele cantava Mal Necessário, segunda música do set list. A moça deve ter se confundido ou mudaram a ordem. Enfim...

Na hora que vi uma coisa dançante toda dourada emocionei. Meu olho não queria piscar. Em seguida vi que um dos caras da percussão era um conhecido de São Paulo, Felipe Roseno, integrante da banda de uns amigos. Fiquei mais feliz ainda porque já havia adorado o som e a maneira dele tocar.
Mudamos de lugar na tentativa de nos aproximar mais do palco. Deu certo! O figurino era realmente divino. A iluminação estava maravilhosa. Juntamente com o cenário que era perfeito! Algumas músicas eu não conhecia, mas isso não foi problema algum. Já nas conhecidas tive uma maré de nostalgia...aaahhh que delícia!!!

Lembrei das noites de Ata-me no Valentino, do queridíssimo Eddie, da minha companheira de noites vinho e longos papos, que eu queria tanto que estivesse ali, do meu fiel, cúmplice e acidentado companheiro que falou tanto que não ia ver o “doave”(veado) de jeito nenhum, mas no final teria gostado do show, de momentos passados que poderiam ter como trilha sonora algumas músicas cantadas.

Lembrei da Káthia que chorou de emoção no show do Jorge Ben na Virada Cultural. Confesso que tive vontade de chorar em alguns momentos. A emoção era tamanha, estava vidrada! Ao som de Pro Dia Nascer Feliz, cantei, dancei, gritei, pulei, e o espetáculo acabou!

Aplausos e mais aplausos que não eram suficientes para agradecer a ligeira hora que passei ali. Esse show sem dúvidas não ficou apenas para o currículo, como disse o Ari, ficou guardado na memória, como um momento único e emocionante.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Contra o gosto ideal dos cineastas cult

Bárbara Polezer
Participei de um workshop de cinema na última temporada das férias de verão. No caso minhas únicas férias do ano (rs). Era uma escola de comunicação e arte em São Paulo. O ministrante era um senhor, já com idade “avançadinha”, com tiques engraçados e um conhecimento tremendo. Ele exibiu vários filmes antigos, inclusive um que não guardei o nome, mas fiquei completamente pasmei. Era um musical. Se não me engano o primeiro da história do cinema.

Com todo respeito a essa classe, no entanto esses cineastas têm mania de falar que o que se vê hoje não é cinema. Sempre fico de cara com esse comentário. Concordo que vários lançamentos não são filmes e sim novelas, contudo existem vários filmes maravilhosos na atualidade.

Como segunda-feira não é meu dia favorito procuro coisas agradáveis para fazer. Fiz uma visita a um amigo que é fissurado por filmes. Ele têm de tudo, inclusive séries completas da tv por assinatura.Neste dia assistimos um romance (P.S Eu te Amo) e peguei emprestado cinco longas para ver no decorrer da semana.

Gosto assumidamente de comédias românticas, todavia, resolvi encarar apenas dramas nesta maratona sofá, cobertor e filmes tristes. Comecei com um, que não era tão drama assim. Estava mais para ação e morte (Valente). Gostei! Fui para August Rush ou O Som do Coração na tradução tosca que não entendi ao certo o motivo. Me apaixonei pelo filme! É novo, estreou esse ano. O filme é comovente, sensível, tem um roteiro legal, uma fotografia linda e atores maravilhosos. Indico!

Em seguida veio Longe Dela. Um casal de senhores, casados há 44 anos que por conta de uma doença se separam contra a vontade de ambos. Ah, não achei tÃo legal, mas beleza é bonito!

Por último veio o Caçador de Pipas. Dizem que o livro é muito melhor, ainda não li. Ok, livros têm mais riqueza de detalhes, trechos mais detalhados, mas amei o filme. É legal quando em algumas cenas relembramos trechos anteriores, ações que nos identificamos e queremos fazer igual.

Semana que vem talvez eu mude o gênero, apesar de ter gostado muito deste. Todos esses filmes são produções americanas por isso volto à indignação contra cineastas que criticam tanto os tais produtos. Os metidos a intelectuais (não vou com a cara desse tipo de gente) têm mania de querer ser “cult”, falar que cinema bom é cinema europeu, principalmente os que a população em geral não entende. Ah, fala sério! Eu gosto de produções hollywoodianas e não vejo nenhum problema nisso!